Leo Canhoto e Robertinho
Lenda do Acervo

Leo Canhoto e Robertinho

A História

Léo Canhoto & Robertinho foi uma das duplas mais revolucionárias da história da música sertaneja brasileira. Formada em 1969, em Goiânia, por Leonildo Sachi, o Léo Canhoto, e José Simão Alves, o Robertinho, a dupla ajudou a transformar o som e a imagem do sertanejo, abrindo caminhos para uma nova geração de artistas.



Muito antes do chamado sertanejo moderno, Léo Canhoto & Robertinho já misturavam elementos diferentes ao estilo tradicional, trazendo guitarras, teclados, contrabaixo e uma sonoridade mais próxima da música urbana. Essa ousadia fez com que fossem vistos como verdadeiros pioneiros de uma nova fase da música caipira.

As origens de dois artistas apaixonados pela música

Leonildo Sachi nasceu em Anhumas, no interior de São Paulo, em 27 de abril de 1936. Criado no Paraná, recebeu o apelido de Léo Canhoto por inverter as cordas do violão para conseguir tocar com mais facilidade.

Desde cedo esteve ligado à música. Começou sua carreira se apresentando em circos e pequenos palcos do interior. Antes de formar a dupla que o consagraria, participou de outros projetos musicais e também se destacou como compositor.

Além de cantor, Léo Canhoto escreveu grandes músicas gravadas por importantes nomes da música sertaneja, contribuindo para o crescimento de diversos artistas.

Já José Simão Alves, o Robertinho, nasceu em Água Limpa, Goiás, em 9 de fevereiro de 1944. Antes da música, tentou diferentes profissões, como tintureiro, sapateiro e tratorista.

Sua ligação com a arte começou em Buriti Alegre, onde participou do trio Jota, Jotinha e Marquinho. Depois de conhecer Léo Canhoto, os dois perceberam a sintonia musical e decidiram formar uma parceria que mudaria a história do sertanejo.

A dupla que trouxe guitarras para a música sertaneja

Quando Léo Canhoto & Robertinho surgiram, o sertanejo tradicional era dominado pela viola caipira, pelo violão e pelas duplas de raiz.

Eles chegaram com uma proposta diferente.

Usavam cabelos compridos, óculos escuros, roupas chamativas e instrumentos elétricos. Para muitos, aquilo parecia uma verdadeira revolução. Para outros, era uma quebra de tradição. Mas o público abraçou a novidade.

A dupla levou para o sertanejo uma mistura de influências do rock, da Jovem Guarda e dos filmes de faroeste, criando um estilo único.

Em seus shows, principalmente realizados em circos pelo interior do Brasil, apresentavam músicas com histórias, diálogos e efeitos sonoros inspirados nos filmes de bangue-bangue.

Canções como "Jack, o Matador", "Homem Mau", "Rock Bravo Chegou Para Matar" e "Buck Sarampo" mostravam esse lado cinematográfico da dupla.

O primeiro disco de ouro do sertanejo

Em 1969, gravaram o primeiro disco pela gravadora RCA Victor.

O grande reconhecimento veio em 1972, quando a música "Apartamento 37" fez enorme sucesso e garantiu à dupla um feito histórico: eles se tornaram a primeira dupla sertaneja a conquistar um disco de ouro.

A partir daí, vieram outros grandes sucessos, como:

Apartamento 37
Segura a Peteca
Motorista de Caminhão
Meu Carango
O Presidente e o Lavrador
Minha Pátria Amada

A música "Motorista de Caminhão", composta pela dupla, ganhou ainda mais destaque ao fazer parte da trilha sonora do seriado Carga Pesada, da televisão brasileira.

Cinema e televisão

O talento de Léo Canhoto & Robertinho também chegou ao cinema.

Em 1978, protagonizaram o filme Chumbo Quente, escrito por Léo Canhoto, uma produção inspirada nos filmes de faroeste, misturando ação, humor e música sertaneja.

A dupla também participou de programas de televisão e ajudou a popularizar uma nova imagem do artista sertanejo: mais moderno, ousado e conectado com diferentes públicos.

Um legado que atravessou gerações

Em 1983, a dupla encerrou a parceria pela primeira vez. Léo Canhoto seguiu carreira solo, enquanto Robertinho também continuou ligado à música.

Em 1989, eles voltaram a cantar juntos e acompanharam a nova fase do sertanejo brasileiro nos anos 1990, participando de trabalhos com grandes nomes do gênero.

Nesse período, lançaram músicas como "Vou Tomá um Pingão" e "Último Julgamento", mantendo viva a identidade que sempre marcou a dupla.

Em 2017, Léo Canhoto & Robertinho encerraram definitivamente a parceria.

Léo Canhoto faleceu em 25 de julho de 2020, aos 84 anos, deixando uma história marcada pela criatividade, coragem e inovação.

Mais do que uma dupla sertaneja, Léo Canhoto & Robertinho foram responsáveis por mostrar que a música caipira podia se reinventar sem perder sua essência.

Eles provaram que tradição e novidade poderiam caminhar juntas.

E até hoje, quando uma guitarra aparece misturada com uma moda de viola, existe um pouco daquela ousadia que começou lá atrás, em 1969, com dois artistas que tiveram coragem de fazer diferente.

Ajeitando a viola...

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