Pena Branca e Xavantinho
Lenda do Acervo

Pena Branca e Xavantinho

A História

Pena Branca & Xavantinho foi uma das duplas mais importantes da música caipira brasileira, reconhecida por preservar a autenticidade da cultura do interior e por aproximar a música de raiz do público da MPB. Formada pelos irmãos José Ramiro Sobrinho, o Pena Branca, nascido em 4 de setembro de 1939, em Igarapava (SP), e Ranulfo Ramiro da Silva, o Xavantinho, nascido em 26 de dezembro de 1942, no distrito de Cruzeiro dos Peixotos, em Uberlândia (MG), a dupla construiu uma carreira marcada pela simplicidade, pela excelência musical e pelo respeito às tradições populares.



Os irmãos passaram a infância na zona rural de Uberlândia, trabalhando na lavoura ao lado dos pais e dos demais irmãos. Desde muito cedo aprenderam a tocar viola e violão e participavam de folias de reis, quermesses, mutirões e festas do interior, onde desenvolveram o estilo que os acompanharia por toda a vida.

A trajetória artística começou em 1958, quando passaram a cantar em emissoras de rádio de Uberlândia. Antes de adotarem o nome definitivo, utilizaram diferentes nomes artísticos, como Peroba e Jatobá, Barcelo e Barcelinho e Xavante e Xavantinho. Em 1968, mudaram-se para São Paulo em busca de oportunidades na música.

Na década de 1970, adotaram definitivamente o nome Pena Branca & Xavantinho. Um dos momentos decisivos da carreira aconteceu quando foram ouvidos por Inezita Barroso, que reconheceu o talento da dupla e incentivou sua carreira. A partir daí, passaram a conquistar espaço na música caipira e em importantes programas de rádio e televisão.

O primeiro álbum foi lançado em 1980, trazendo interpretações marcantes de clássicos da música brasileira. O reconhecimento nacional veio poucos anos depois com o álbum O Cio da Terra, lançado em 1987, que vendeu cerca de 300 mil cópias e apresentou ao grande público a emocionante interpretação da canção homônima de Milton Nascimento e Chico Buarque, gravada com a participação do próprio Milton. Essa versão tornou-se um dos maiores clássicos da música caipira contemporânea.

Ao longo da carreira, Pena Branca & Xavantinho gravaram ao lado de grandes nomes da música brasileira, como Rolando Boldrin, Fagner, Almir Sater, Renato Teixeira e Tião Carreiro. O repertório da dupla valorizava a viola caipira, as tradições do campo e o folclore brasileiro, com interpretações memoráveis de músicas como "Vaca Estrela e Boi Fubá", "Cuitelinho", "Luar do Sertão", "Tristeza do Jeca" e "Casa de Barro".

O talento da dupla foi reconhecido com importantes premiações, incluindo dois Prêmios Sharp e um prêmio da APCA, consolidando seu nome entre os maiores representantes da música de raiz no Brasil.

A trajetória da dupla chegou ao fim em 7 de outubro de 1999, quando Xavantinho faleceu aos 56 anos, vítima de uma embolia pulmonar. Pena Branca seguiu carreira solo por mais alguns anos, mantendo vivo o legado da dupla, até falecer em 8 de fevereiro de 2010, aos 70 anos, vítima de um infarto.

Mesmo após o encerramento de sua história, Pena Branca & Xavantinho continuam sendo reverenciados como símbolos da autêntica música caipira. Em 2021, receberam uma grande homenagem durante o Festival de Arte Vale do Paraíba, que reuniu diversos artistas para celebrar a obra da dupla e reafirmar sua importância na preservação da cultura popular brasileira. Seu legado permanece vivo, influenciando violeiros, cantores e admiradores da música de raiz em todo o país.

Ajeitando a viola...

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