Nenete e Dorinho
Lenda do Acervo

Nenete e Dorinho

A História

Quando a gente fala dos verdadeiros alicerces da música sertaneja raiz, não tem como não abrir o chapéu para Nenete e Dorinho. Mas, para contar essa história direito, a gente precisa incluir um terceiro nome que completou essa mágica: o sanfoneiro Nardeli. Eles ficaram conhecidos por todo o Brasil como o "Trio de Ouro do Rádio Brasileiro", e não era pra menos. Nas décadas de 1950 e 1960, quando o sertanejo ainda estava encontrando seu lugar, eles apareceram para revolucionar tudo. Com harmonias que soavam como um relógio e ritmos que ninguém tinha ouvido antes, eles não apenas encantaram o público, mas se tornaram o trio mais premiado que a gente já viu por aqui.



Tudo começou numa daquelas coincidências que mudam o destino da nossa cultura. Foi em 1954, lá no Concurso de Violeiros do IV Centenário de São Paulo, que os caminhos se cruzaram e a parceria nasceu. A química foi instantânea. Já no ano seguinte, em 1955, eles gravaram o primeiro disco, trazendo faixas como "O Milagre das Rosas" e "Toca Sino", que já chegaram mostrando a que vieram. A qualidade era tanta que eles foram contratados pela gravadora RCA Victor, onde ficaram exclusivos por mais de 16 anos. E não pense que o reconhecimento foi pouco: eles levaram para casa o Troféu Roquete Pinto, que na época era a maior honraria que qualquer artista do rádio podia sonhar em conquistar.

Agora, é preciso conhecer os homens por trás desse sucesso todo, porque o talento de cada um era o que dava tempero a esse conjunto. O Nenete, nome artístico de Waldemar Castelar de Franceschi, nascido em Santa Adélia em 1919, era um poço de sabedoria. Além de cantar e compor como poucos, ele ainda trabalhava como produtor musical na RCA e praticamente transformou a cidade de Pirassununga em um verdadeiro polo de cultura caipira. O Dorinho, o Isidoro Cunha de Bernardino de Campos, era quem trazia aquela voz marcante que a gente reconhecia de longe, além de ser fera no cavaquinho e no violão.

E, claro, a peça que dava o ritmo e a alma sonora do trio: o Nardeli, Antonio Onofre Figueiredo. Nascido em Iacanga, ele foi, sem dúvida alguma, um dos sanfoneiros mais requisitados daquela geração. Enquanto Nenete e Dorinho seguravam a canção, Nardeli vinha com o acordeom sempre afinadíssimo, garantindo que o som tivesse aquela identidade única que ninguém conseguia copiar. Foi essa união, de três talentos que se completavam perfeitamente, que deu ao Brasil um legado que a gente ouve até hoje com o mesmo respeito e emoção de antigamente.

Ajeitando a viola...

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